ARTE NA CIDADE

Arte na cidade

Rio, 14 de novembro de 2016

Na semana passada, fui ao Centro Cultural Hélio Oiticica, atualmente sob a direção de isabela Puku ver a mostra “Nos limites do corpo“ sobe a curadoria de Tania Rivera e Luiz Sergio Oliveira, com o(a)s artistas Roberta Barros, Gabriela Mureb, Hélio Carvalho e Cristina Salgado.

subi as escadas e dei com a porta de vidro, um sensação de insegurança me deu em não ver nenhum sinal talvez um setinha galeria 2 e 3 (?) para um lado e a outra apontando para a escada que subia, que tinha uma correntinha, assim só podia ser ali mesmo, abri a porta de vidro,

e a arte estava lá no escuro, uma caverna em forma de paralelepípedo, um container gordo com suas paredes pintadas de um cinza escuro, até hoje não consigo identificar esta cor, quando sai fiquei com a impressão que a sala era marrom, mais tarde, ainda pelo centro, voltei lá para, entre outras coisas, conferir a cor, cinza escuro, indeciso diria, hoje na memoria sinto que ele tende para o verde, assim é o cinza, na sua estranha qualidade de cor, nunca fica quieto na dele, flutua para lá e pra cá, alias, muito sensível ao que esta perto, e sinto que também flutua na nossa memoria até encontrar um lugar de conforto e lá se aconchegar, então pra mim agora este é um cinza escuro que tende pro verde, mesmo neste espectro não consigo identificar sua qualidade final, mas lá esta ele flutuando no memoria conforto.

na parede esquerda, um texto institucional da diretora e dos curadores, letrinhas amarelas sobre o fundo cinza verde escuro flutuante, mas este é logo abandonado pela força da arte, lá estava eu, o “eu” e quantos somos dentro de nosso “eu”, naquela manhã ensolarada de terça, dentro daquela sala cubo esticado verdescuro cinza flutuante, e três videobras nas três paredes em torno de minhas têmporas, corpo e olhos enquanto a porta de vidro lentamente retornava ao seu estado de repouso, fechando a sala para o ar que nos acondicionava não sair, a minha direita encontrei uma amiga que me saudava gentilmente enquanto cuidava da mostra, lá estávamos nós e a arte, estas três vídeo obras se apresentavam de forma diferente e isso trazia uma riqueza no lugar do que as vezes se torna uma monotonia, a direita um monitor maiorzinho um pouco menor que dois braços abertos destes tipo quadro placa, pendurado a altura dos olhos nele uma menina mulher , uma jovem, gravida fazia tricô na sala de espera da maternidade, e o crochê saia entrava de sua barriga, fazendo uma conexão como se fosse um cordão umbilical mas não foi assim que eu senti era diferente do cordão, poderia ser uma conexão vaginal mas também não era, algo em algum lugar entre umbi vagi, e ao redor, outras gravidas esperando e os dedos e suas agulhas tricotando, o tempo, de ponto a ponto, passando e de mansinho percebi que a barriga era de brincadeirinha : ) ela era de tricô também, e a artista em sua ação ( imagino que ela mesmo era a artista ) colocava o crochê que ia crescendo para dentro da barriga, “que barriga comilona”, brincaram meus miolos, acho que ela estava gravida do tempo, e assim ela alternava: de ação e de lugar não sei se no hospital tinha varias maternidáreas de espera ou se eram diferentes pontos de vista, mas o tempo passava e lá estava ela tricotando,se auto alimentando e alimentando o nenê, nenê ela nenê, em pé, sentada numa sala, noutra sala e o tempo passando e com um sorriso nos olhos minha atenção se despediu e ao fundo da sala foi, uma imagem projetada ocupava em sua horizontalidade toda a largura da sala, um lençol branco e a imagem parada projetada parada, estrategiarte que me lembra alguns trabalhos do cabelo que foi a primeira vez que vi esta proposta de projefoto, o vídeo congelado, mas nem sei se foi ele o primeiro artista neste planeta terra gigante que colocou numa parede uma imagem projefoto, e acho isso uma bobagem, inclusive tenho ainda duvida se a imagem não tem um minúsculo tempo movimento que oscila ou se é o próprio aprisionamento do vídeo que gera esta vibração, mas lá estava aquele lençol ocupando todo o fundo daquela saladarte caveutero, e do alto direito deste projequadro sai um córrego vermelho sangue que docemente escorria pelo branco e serenava no limite sua tenção superficial na forma de uma cabeça gota repousada sobre o leitoleite branco lençol, e neste bico rio boca, um brilhos que oscilava oscila, acho que tudo oscilava mas este brilho marcava esta força para lá e cá de todos os lá e cás... vermelho branco, gritos e sussurros, mestruação a concepção que não veio e este misteriosos mundo da mulher, este interior feminino uterino sazonal desconhecido e desejado para nós homens, este universo do começo da vida, esta vida que brota na escuridão aquática do caveutero, e lá a gota rio, sempre que vejo esta obras, na maioria das vezes feitas por mulheres, evocando este feminino particular delas, fundo branco figura vermelha me lembro do gritos e sussurros cinepoema bergamaniano, e lá esta vá este quadro imagem arte pintada de luz oscilando quando meu espirito se moveu para uma outra projefoto muito inesperada delicada forte e muito linda, desta vez um pequeno formato, um arbusto, como se as duas mãos abertas, o braço caindo dos ombros, antebraços para frente e as mão abertas se preparacem para pegar ango abaixo precioso, um nenen, e, se não me engano, num formato tv antiga, mais quadradinho, dentro desta imagem algumas mãos com luvas látex e seus dedos convergindo para um ventre aberto (buraco), pele com uma bordinha de sangue, emanando luz que subia desse corpobarriga, numa sala de operações, não sei se era uma cessaria e um ser sairia dali em questão de segundos, mas esta luz, como se brotasse daquele centro de atenção, subia dela barriga, pelos dedos mão látex luva passando pelas mangas azuis celestepitais dos médicos se esvaneciam na escuridão da parede escurovercinza, assim acontecia e lá estava a imagenluz, a projefoto ficava lá vibroscilando a esquerda de quem entra na altura de uma criança de 4 anos, alguns pés afastado paredeluz o projetor e uma base, tudo parecia uma coisa só esfigetoten bocadeluz sobre o chão velho de tabuas corridas. Meu corposcilava entre estas esta três vídeo pinturas nesta caverna rupestre contemporânea, e o chão velho me levou. No final desta caveuterosalacuboesticado a esquerda ao lado da projefoto de bordas brancas com o riobabagota vermebrlihoscilante tinha uma porta que emanava luz, atravessei a sala e finalmente a porta, se abriu uma grande sala quadrada toda de paredes amarela, luz depois da caveverciza uteroescuro, parecia um processo de limpeza entramos naquela força da escuridão e agora nos cobríamos de luz, nascimento sei lá. A luz que entrava por uma grande janela, mas certeza não tenho se esta janela de fato existe ou se fruto da minha imaginação, mas lá estava eu, de costa para aquela hipotética janela emanante de luz, mas a sala era luz e cor, assim com antes estive de costas para a porta de vidro, na parede contornada pela porta a esquerda e ainda a esquerda, tínhamos suspenso por umcabide (?) dois uniformes pendurado na parede ( sera que esta também era amarela, me foje amaré e me vem cinsa cla) com linhas cores brilhos, um uniforme vivo alegre, e louco, entre o oficio e o hospício, a loucura organizada de um cotidiano possível da vida, trazia uma fantasia e uma utopia, na parede seguinte em frente a meu corpo recém virado, dois monitores vídeo movimento, com um senhor de barba vestido do uniforme empurrando um carrinho maca, nave espacial, camelotruk, pelos corredores e rampas de uma hospital, comecei a ver que tinha algum hospital envolvido que eu na minha ignorância infantil não sabia muito bem onde estava entrando quando atravessei aquela porta de vidro, , e aquele homem videoandava dela para cara e de cá pra lá rodando pela sala que no teto tem aquela luapontopreto do grande artista americano que fez uma mostra desenhos a muito tempo aqui no HO e desde então esta participando de todas as mostras, umas cai melhor outras nem tanto, mas ele esta sempre lá ,do nem tão alto teto ponto mirando tudo e neste caso o carrinho rodando o artista brincando o espirito girando o uniforme brilhando e tudo aquilo no ar quando o ser parou e olhou, la estava o carrinho fora do vídeo, em carne e tubos, cintas e cores, pousou lá sobre o solasoalho de tabuas corridas e se abriu ...o carrinho navemaca é uma mesa de desenho com papel, caixas de lápis de cor, banquinhos velhos em volta, pura poesia, serenou...Depois daquele nascimento caveuiterino, veio a luz das cores do desenho do rodopio, da sala cinzaverscuro da espera tricogravida, pelo rio sussurro sangue e do corpo que emana luz chegamos as cores da luz do amarelo sol que inunda a sala, na parede oposta a porta da luz, luz core, arco íris, brincadeira desenhar sonhar agir viver, que vontade deu de desenhar, depois soube que não podia, tudo be, assim fica tudo arrumadinho, é bom. A manhã ia subindo e na diagonal oposta uma porta com cortina, travessando esta peleporta entramos em outra sala escura mas desta vês escuro sobre paredes brancas e as velhas tabuas corridas e, holofotes, os olhos escorreram pela parede esquerda onde o primeiro holofote ilumina um caderninho, a direita nsobre as velhas tabacorridas, outros dois iluminam folhas de carpete supressa por um tripé ou qualquer forma de pedestal, cada um dos holofotes emana uma imagem de mulher, uns se não me engano um desenho outro uma escultura, santa sei lá, o simbólico, o teatro, a luz, a sombra naquela língua de varias carpé camadas magenta escura, clara, ocre,...mas me aproximei da do caderninho, foi ele que me atraiu, com seu holofote, em diagonal, sobra e luz, e sob esta luz, saia da parede uma pegagrapo de ferro garrando o caderninho pela base aberto, meio palmo da parede, nele rabiscado, desenhado, uma mulher deitada em perspectiva seu torso para traz e para frente suas pernas abertas. grafite sobre papel sem não me engana a mente, ops, alias, a mente mente : ) e entre as pernas como em todas a mulheres lá explicito e desenhado a vagina e o anus, a origem do mundo de mestre Courbet, reproduzida, revivida re dançada, re cantada, o holofote, o teatro, o placo, a aete, avida, o desejo, a entrega, a operação, abre um buraco mãos de látex retiram o feto, da luz surge o palco da vida, o teatro, do teatro o corpo, do corpo a cama, da cama o escuro, do escuro a luz, o palco com seus holofotes e o publico, a sala de operações os holofotes o corpo o privado, a vida em jogo aqui e o jogo da vida em arte lá, arte lá arte cá, e a espera, ponto a ponto, e o rio que escorre e o homem que corre, e as cores esperando alguém que nunca vem pra colorir mas colorir não pode pois a espera gera aa rte, e o holofote, queima brilha, luz luz luz... na parede desta sala. já no retorno do corpo ao lado da porta de entrada o vídeo a performance da escultura pelecarpete sendo montada finalizada cobre uma cadeiras banco do hospital, cada vez tudo ficava mais claro, o hospital centro gerador, pessoas conhecidas a curadora o fotografo outra artista, gente ajudando a artista por entre o corredor publico do hospital, o publico, peles carpete empilhadas formando camadas de uma nova pele, pele de pele, de corte epitélio, Duas salas escuras a sala caveutero abrindo os caminho da arte e a sala palco fechado a dança entre curadores instituição arquitetura artistas, nascimento vida e morte, duas mulheres mas jovens e menos conhecidas na primeira sala dando a luz a mostra, na luz, o homem barba cinza, com seu uniforme brilhante e seu carrinho camelonave de cores dando voltas , rodopiando loucamente e a mente mente novamente pelos corredores sobe e desce, e na ultima sala eterno retorno, o escuro sala com seus holofotes teatrais dando luz a arte, mulheres no escuro dando luz, homem no claro rodopiando sob a luz, a luz da cor, a lua da cor, a saída é um retorno, como se o tempo fosse virando do lado avesso, puxei a cortina da porta a luz das cores do uniforme rodopiante girou espirito no meu corpo, sob a benção da lua negra sobre a sala de luz atravessei a sala em frete tinha um outra porta que passou desapercebida me levando a cavesala, e sua paredecor misteriosa o tricô, o rio, e aquele primor de corpobordasagueluzdedoslatexluvaazulcelst se esvais sem bordas mimetizando a escuridão, do lado direito da porta o texto e suas letrinhas amarelas onde os curadores nos assopram palavras dos caminhos lugar por onde passamos, hora de ler, ficamos sabendo que este projeto veio de um convite do hospital maternidade Heloisa Studart, em São João do Meriti, porem com o corpo aberto ao navegar sobre as palavras, a gravidez, lugar entre o eu e o outro, poesia e dor, transformação, maternidade, sua biologia crua tudo isso foi me lembrado o meu filho e palavras que soprei sobre a mãe e o cuidar, a mulher vem equipada com um órgão para gestar e outro para alimentar, cuidar é parte do ser feminino, para ele serenar e compreender que mãe é isso, que isso pode as vezes ser um exagero, e nos cansar, mas que também é um ensinamento pois todos temos que cuidar de si, das relações, dos hospitais, da cidade, país, planeta enfim cuidar do nosso corpo, da nossa casa que é a terra e tudo que temos nela, suas plantas, nossa mestra dizia Lygia, “a casa é o corpo” hoje poderíamos dizer “a terra é o corpo” assim estas letrinhas amarelas nos mostram o cuidado, com que tudo foi feito, cuidado que percebemos quando atravessamos as três salas cuidado com que tudo foi colocado, , cada lugar, acima abaixo, o cinzaverdescuro o amarelo, luz e sombra o cuidado coletivo e as letrinhas amarelas, assim sai e fui pra rua quente e iluminda do saara carioca.

Gabriela Mureb.

Roberta Barros.


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